terça-feira, 18 de novembro de 2014

About sharks, people and life

'Save people, Not sharks' (Salve pessoas, não tubarões) - Adesivo em um carro aqui em Perth

Engraçado como as pessoas só protegem o que é simpático. Ninguém quer proteger os abutres. Algumas espécies estão em extinção, sabia? Mas, claro, 'é um absurdo comerem cães na China!!!!'.

Medo e apreciação são sentimentos intimamente ligados ao conhecimento. Pessoas só protegem o que conhecem. Porque, afinal, só conseguimos realmente apreciar alguma coisa se conhecemos sobre ela.

Uma mão mecânica controlada por sensores neurológicos e um microondas são, basicamente, a mesma coisa para um leigo. Mas pergunta o que o meu amigo Martin (Eng. de Automação) pensa sobre isso.

Mas poxa, olha que sorriso fofo:
" Pô, eu só queria um abraço :'( "
Na primeira vez que fui para Margaret River rolou uma tensão quando dois tubarões pequenos foram vistos. Eu - e praticamente todo mundo - saí da água e uma galera foi para as pedras tirar foto deles. Apenas um cara, australiano, ficou na água. Meia hora depois, quando os tubas sumiram, voltei para a água. Puxei conversa com o Aussie (ficou na água o tempo todo) que foi muito gente boa e simplesmente disse: 'Cara, se os tubarões quisessem te atacar eles teriam feito isso e você nem ia perceber o que te atacou. Se você pode vê-los significa que eles querem ser vistos." Óbvio, né? Um superpredador aquático com certeza consegue enganar o macaco careca aqui. Pessoas não estão na dieta de um tubarão, se eles estão atacando gente é porque o buraco é bem mais embaixo.

 Desde aquela vez não me preocupo com eles. Eles seguem a vida deles e eu pegando as minhas ondas. Estatisticamente, ainda é mais fácil ser atingido por um raio que ser atacado um tubarão. Claro que não vou usar um colar de carne de canguru pingando sangue e ir surfar sozinho em Margs (dã). Mas eu entendo que estou na casa deles e respeito isso.

Não se trata de salvar tubarões no lugar de pessoas, mas respeitar que ambos tem o seu lugar nesse outside. A série entra para todo mundo. ;)

Eu, amarradão, indo pegar altas ondas (mesmo sabendo dos Tubas ). Detalhe na placa.
Cheers, guys!

No ritmo, no tempo

"Correndo a gente às vezes se atrasa;
Eu fui entender isso bem longe de casa, na Indonésia (...) Isolado do mundo;
Num tubo demorado que durou quase 5 cinco segundos;
Qual é o valor de um segundo? Qual é o valor de um minuto?"

Gabriel o Pensador - No Ritmo, No Tempo (Part. Cone Crew)


segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Como tudo começou

"Apronto agora os meus pés na estrada.
Ponho-me a caminhar sob sol e vento, eles secam as lágrimas.
Vou ali ser feliz e não volto."
(Caio Fernando Abreu)

Foi com essa frase em mente que toda essa experiência começou...

Há um ano atrás eu estava exausto, chateado e desempolgado. Trabalhando arduamente em algo que não gostava, estudando coisas que não me interessavam e sempre ocupado com tudo menos com o que realmente importava: surfe, família, namorada e amigos.

Fitei-me no espelho e percebi que, sem reparar, fui me tornando o que eu sempre achei patético: alguém cheio de dedos para criticar, sempre ocupado com coisas "importantes", e - no fundo - infeliz. Eu que criticava tanto a marcha de 'dar certo na vida', tinha virado mais um na boiada do dia-a-dia.

Arrependimento? Nenhum.
Tudo o que fiz fomentou no que eu sou. E se tem algo em mim que tenho muito orgulho é do meu empenho. Mas era tempo de mudar.

O que importa é que juntei coragem para fazer uma das coisas mais difíceis na minha vida: abandonar o orgulho e desistir... Desistir do trabalho que eu não gostava, desistir de tentar abraçar o mundo, desistir de tudo que não fosse realmente importante para mim... Fazer uma limpeza na casa, tirar o pó do que fica e se livrar do que não importa mais.

Não foi fácil. Engolir esse gosto amargo de 'eu não vou terminar isso'. Mas foi importante e a partir do momento que fui sincero um peso gigantesco saiu das minhas costas. E, por incrível que pareça, aqueles que achei que iriam ficar chateados com isso na verdade acabaram concordando e me apoiando!

Não se engane: a Engenharia Mecânica? Esse não. Um dos grandes amores da minha vida foi essa escolha, só uma fase de matérias e professores chatos.

Mas e aí, aceitar a possível bolsa de pesquisa na Itália ou tentar a sorte nesse programa na tão sonhada Austrália?
Te liga Thiago, passou da hora de voltar ser quem você é!

Surf, engenharia mecânica, Austrália, pessoas novas, lugares novos, vida nova!

Encontrei-me aqui na Austrália! Pouco a pouco fui voltando a tudo o que amo, e cá estou: O Thiago (o Biro) que gosto de ser.

E nem chego a me esquentar com gente dizendo que tirei o ano de férias. Falar das matérias de pós-graduação que fiz? Que com 3 meses aqui consegui um estágio por conta própria em uma empresa grande? Que estou começando meu TCC em uma área meio inédita no Brasil? Dos trabalhos voluntários?

Nah, como diria o D2: "o blá blá blá eu deixo por conta por vocês".
;D

Engraçado...
Como sempre, estou cheio de coisas para fazer essa semana! Tenho a habilidade de ficar assim! Hahaha

Mas não como antes. Ainda sou o mesmo, só totalmente diferente.

See you, guys!
Cheers from Australia!